A pretexto dos 120 anos da invenção do basquetebol por James Naismith, vamos dedicar este blog a este jogo, que sem deixar de o ser se tornou um desporto global e espectacular.
Utilizaremos uma perspectiva histórica que contextualize socialmente este desporto. Esperemos que este blog se torne um interessante local de visita para todos os apaixonados do basquetebol. Aceitamos sugestões e ideias para melhorar. Não deixem de comentar.
Paul Arizin foi um dos melhores jogadores norte americanos de todos os tempos. Jogou nos anos 50 e inícios dos 60 e ficou famoso pelo seu lançamento em suspensão, cuja invenção lhe foi atribuída, mas erradamente. Tal como ele confessa no filme abaixo apresentado vários jogadores antes dele o usavam e há bastante tempo.
Relativamente à invenção das formas do lançamento, o que pensamos acontecer na realidade e na maior parte dos casos, é um processo colectivo em que vários jogadores vão colocando pedrinha sobre pedrinha até que se chega à estabilização de uma técnica. Foi também o que aconteceu com o lançamento em suspensão. Um livro interessante onde surge essa tese que eu subscrevo é:
Christgau, John. The Origins of the Jump Shot: Eight Men Who Shook the World of Basketball. Lincoln: University of Nebraska Press, 1999.
No video que vos trago ele descreve ainda a sua vida de basquetebolista, desde a sua formação inicial - ele que não jogou ao nível do Liceu, mas praticou intensivamente nos play-grounds - até à sua retirada. É uma história de vida interessante a conhecer, pontuada de muitas imagens interessantes.
As técnicas do basquetebol são modos de fazer, com ou sem bola, que visam resolver eficazmente certos problemas que o jogo coloca aos jogadores.
Assim, as técnicas de lançamento são modos de enviar a bola para o cesto tentando o sucesso na acção, isto é, encestar.
Ao longo da história do basquetebol foram-se inventando formas de lançar diferentes. As que conheces agora, são a estabilização e a selecção, neste momento, daqueles modos que se consideram mais eficazes.
Foram principalmente os jogadores, individual e colectivamente, que foram trazendo para o jogo e em função dos contextos em que realizavam o lançamento, novas modalidades técnicas.
Por agora daremos apenas uma visão sumária e global de como essas formas foram mudando. No início era habitual verem-se lançamentos a duas mãos, debaixo para cima (o que depois se chamou de à padeiro, talvez pelo gesto que os antigos padeiros faziam com a sua pá), de longe, atingindo alguns jogadores uma precisão notável. É preciso dizer que essa forma de lançar era possível apenas perante uma defesa não pressionante. Quando o defesa se começou a aproximar do lançador, invalidando a técnica anterior, uma outra solução encontrada para o lançamento foi a do lançamento de peito, a duas mãos, em apoio. De seguida sucederam-se a invenção do lançamento a uma mão e a do lançamento em suspensão. Alguns lançamentos especiais, tais como o de gancho, foram também inventados para superar fortes obstáculos defensivos, perto do cesto. Ao nível dos lançamentos em movimento ou na passada, desde o início do jogo eram habituais esses lançamentos, muitos com carácter acrobático, no âmbito de formas de jogo espontâneas tipo contra-ataque.
Noutros posts, falaremos mais pormenorizadamente de quem foi considerado o(s) introdutor(es) de cada um destas formas de lançamento. Daremos também a nossa opinião sobre esse asssunto. Para já diremos também, que se é habitual vermos um nome de um jogador associado à invenção de uma técnica, nos parece muito mais adequada a interpretação daqueles que vêm essa invenção como tendo um carácter colectivo. Noutro post desenvolveremos o assunto.
A quem pense que as técnicas de lançamento já estão todas inventadas e estabilizadas eu aconselho prudência. A quem não chegue a perspectiva do passado, que já assinalámos, basta talvez olhar o jogo actual para ver já nele os germes de futuras técnicas. Quanto a este "actual" deixo-vos com imagens do lançamento de Dirk Novitski, em que vos peço para repararem na técnica de lançamento em suspensão com salto à rectaguarda, que é uma imagem de marca dele e que é a resposta, praticamente indefensável, aos contras que lhe tentam fazer, mesmo a ele que é um gigante.